
O ateliê-laboratório sonoro SAÍDA DE EMERGÊNCIA, fundado e gerido por Raphael Venos, nasceu no início da maior tragédia socioeconômica e sanitária do século XXI: A pandemia de COVID-19.
Nesse contexto, Raphael — que já vinha tentando desenvolver um espaço próprio para investigação sonora e produção musical — não pensou duas vezes: ou vai ou racha. E foi. E continua indo.
Pensando na autossustentabilidade do espaço, o artista desenvolveu de forma autodidata conhecimentos em áreas técnicas que orbitam a produção musical, como acústica, elétrica, eletrônica, luthieria e HVAC.
Esses saberes contribuíram para a adaptação gradual do espaço e para a construção de uma dinâmica de trabalho marcada pela autonomia técnica e pela experimentação.
No decorrer do processo de desenvolvimento da infraestrutura do laboratório, Raphael também contou com o apoio de amigos, familiares e parceiros de profissão.
Para além da ajuda na reforma estrutural do lab, alguns instrumentos chegaram por doação, enquanto outros foram apadrinhados pelo próprio artista.
Já dizia o poeta: "Sonho que se sonha junto é realidade".



























Grande parte dos dispositivos utilizados no laboratório é constantemente reparada ou adaptada pelo próprio artista, evidenciando uma cultura DIY (Faça Você Mesmo) que fortalece a autonomia do espaço.
Entre os exemplos dessa abordagem está o oscilador SCHUKAHEAD, desenvolvido em oficina realizada pelo coletivo XEKERALL — iniciativa fundada pelo artista-cientista Paulo do Amparo em colaboração com o produtor musical Homero Basílio.
A carcaça vem de um rádio antigo de sua avó, combinada com falantes de telefone fixo da década de 1970, LDRs, potenciômetro e um microfone improvisado a partir de uma ducha higiênica.






O laboratório também incorpora objetos e dispositivos não convencionais — como garrafões d’água, campainhas residenciais e outros elementos do cotidiano — utilizados como recursos para a experimentação sonora.




















Mesmo com estrutura limitada, o espaço já foi utilizado no desenvolvimento de trabalhos como:
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o audiovisual Policromia; vulgo Αγάπη e singles AManhã e Canto Pra Iê Iê, de Raphael Venos.
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a trilha do mini-documentário Mestre Zequinha dos 8 Baixos: De Pai Para Filho, de Luís Vitor.
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a masterização da videodança Infinito, de Natali Assunção e Ludmila Pessoa.







Ao longo de seu amadurecimento, o espaço passou a integrar processos mais amplos de criação e circulação, incluindo:
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a colaboração com o Grupo São Gens de Teatro, na trilha e edição do teaser do espetáculo Narrativas Encontradas Numa Garrafa Pet na Beira da Maré, que integrou a circulação internacional do grupo, com apresentações em Portugal
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a residência artística internacional Breath Pod (Cápsula de Respiração), vinculada ao programa Cultura Circular e articulada com o Festival Coquetel Molotov
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a direção musical e criação sonora do espetáculo PRONTA PRA GUERRA; PULANDO FOGUEIRAS E DECORANDO O TEXTO COM FUXICOS, apresentado no Festival Reside Amaro
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a direção musical e trilha sonora de Hblynda em Trânsito, reconhecido com o Prêmio Técnico de Melhor Direção Musical no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos (2026)
ENTRANDO PELO SAÍDA
O termo “laboratório” não é casual. O Saída de Emergência, embora também atue como estúdio de gravação e dialogue com protocolos da produção fonográfica, não se estrutura a partir da centralidade técnica do processo criativo.
Trata-se de um espaço onde artistas e grupos podem se desvencilhar da lógica da indústria fonográfica e de sua cadeia mercadológica para acessar o cerne da criação.
Primeiro desorganizar, depois organizar — e vice-versa.
Para muitos artistas, estúdios profissionais não são percebidos como ambientes onde a liberdade criativa é plenamente possível.
Não por acaso, processos mais autênticos surgem em espaços íntimos, improvisados, nas “caverninhas” particulares de cada um.
Para o artista independente, produzir em um estúdio convencional muitas vezes se resume ao “agora ou nunca” — seja pelo custo da hora, pelo excesso de tecnicidade ou pela padronização dos processos.
Não se trata de discutir o que é ou não trabalho — artista é classe trabalhadora, ponto — nem de ignorar o jogo de cintura necessário para sustentar uma carreira no setor criativo.
Trata-se de reposicionar prioridades.
Nesse contexto, a fuga — vulgo “Saída de Emergência” — se materializa na criação de um ambiente que se afasta das pressões técnicas e simbólicas que atravessam o fazer artístico, abrindo espaço para outras formas de escuta, experimentação e presença.
O laboratório não nasce do desejo de inovar, mas da necessidade de se integrar a uma rede de acolhimento já existente na cena independente.
Se “eu sou porque nós somos”, que sejamos o lugar onde o trabalho deixa de ser fardo e volta a ser expressão.

CAMPOS DE ATUAÇÃO

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